Insane.

Atomo

Ao acender o segundo cigarro do dia sentiu o amargo impregnar na garganta e descer aos pulmões enquanto se deitava em um pequeno muro para admirar o céu se esvaindo de seu azul mais vivo. Olhava atentamente a fumaça acinzentada que saia preguiçosamente de seus lábios rosados e refletia sobre si.
Pensou ser como a fumaça: desvairada, bagunçada, sinuosa e totalmente indecisa para onde iria naquela imensidão.
Porém, esta não podia dispersar-se assim como faziam as pequenas partículas e espalhar-se aos montes por tudo.
Viu-se no labirinto mais uma vez, mas desta vez já não corria… andava desdenhosamente entre as paredes de pedra dura e gelada.
Agora sabia todos os atalhos e passagens, resolveu então só apreciar a visão do céu embebido em um azul marejado enquanto se deitava em um pequeno muro.

(Carolina Fracaccio)

Sentenca final

Ando esperando a minha recuperação vir.

Não sei se me recuperei, se não havia nada a recuperar ou se virá junto com todas as outras lamentações para eu livrar-me de todas de uma só vez.

Não sofri. Chorei pouco. Grunhi muito. Contentei-me.

Foram esses meus estágios de tristeza depois da sentença dada. Ainda procuro pela minha tristeza infinita – que eu certamente teria, pensava – mas não a acho. Talvez não exista mesmo e tenho que dar-me por feliz.

O problema é que eu sempre achei que quando conseguisse algo duradouro e bonito e que fizesse algum tipo de sentido e esse “algo” fosse embora sem-mais-nem-menos eu choraria dias e pararia de comer… Sair da cama e tirar os pijamas? Não durante ao menos uma semana!

Essas eram as minhas idealizações de término e também os meus temores. Quem gosta de ficar mal?

Mas no final eu só fiquei. Eu senti, claro, mas não muito.

Segundo minha mãe, eu já não amava mais. Mas o que era , então? Amor não se acaba assim. Amor é amor. Se sente, perdura, vive em você e não há como “desamar”. Desamar. Desamar! 

Será que eu nunca amei?

São dúvidas extremamente cruéis e desgastantes.

Gosto de brincar no meu consciente que não deu certo porque eu não escrevi um texto logo no inicio jogando todos os meus sentimentos avassaladores na cara da vítima, como sempre fiz. 
Gosto de brincar que tenho que trocar meu perfume, porque quando o amor acaba, o perfume também acaba (RS!), mas na verdade adoro aquele cheiro adocicado que penetra nos meus pulmões e deixa a vida mais bonita.. Não quero perder a fragrância.

Engraçado, a ultima frase “não quero perder a fragrância” me remeteu automaticamente a um trocadilho de mau gosto, pra variar..

"Não quero perder a fragrância, mas o relacionamento tudo bem", foi o que passou na minha mente. Ah, que triste.

Talvez minha mãe esteja certa.
Ou quem sabe eu não tenha um prazo de validade pra todas as coisas? Ou todas as coisas tenham prazo de validade na vida de alguém?

Hmmm.. Muitas ideias e poucas respostas.

Prefiro acreditar que só não sofri e não me descabelei e nem quis morrer. Simples assim.

(Mas ainda acredito na versão da minha mãe, afinal, é minha mãe).

"Eu sou mesmo assim" - pensava enquanto seus olhos queimavam em brasa de um desespero carnal.
Desejava amargamente o gosto do outro, o toque e a respiração ofegante e pesada, por vezes entrecortada e por outras esquecida para dar ouvidos aos seus gemidos.
Cruzava as pernas ao relembrar e apertava uma contra outra. Fincava as unhas afiadas pelo corpo deixando pequenos hematomas e cortes, fechava os olhos com orça e abria e fechava os labios deliberadamente. Sentia-se suar, molhar, latejar por dentro. Entrava em transe, tentava conter-se e nem sempre obtinha êxito. Por vezes explodia em sensações e memórias, com arrepios desde a nuca seguindo por toda a sua extensão até o final da espinha. Abafava a boca com as mãose a convulsão irradiava pelos lençóis com o mesmo frenesi do corpo.
Quando não, viajava as mãos pelo corpo (assim como fazia o outro perfeitamente), sentindo suas nuances e curvaturas, os poros dilatados, os lábios secos, emaranhando os pelos e depois os cabelos, entumescia os mamilos e desenhava gentilmente as aureolas com os dedos frios e macios; arrepiava-se mais.
As roupas faziam-se pele e já não se distinguia uma d’outra. As duas fundiram-se e seu corpo já lhe era um mapa deliciosamente explorado.

(Carolina Fracaccio)

(Source: phesent, via icallthatfate)

(Source: incendse, via trapezio)

É um saco não se sentir parte de nada.

o-grande-mundo-do-troll:

Perry!!! \o